Ideias Inovadoras — entrevista para a revista ImovelClass

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Martha Gabriel
por Martha Gabriel, 3 de novembro de 2015
– Você fala em suas palestras sobre a diferença que existe entre invenção e inovação. Pode explicar isso para o nosso leitor
RESP MG – Um dos principais motivos pelos quais as pessoas não inovam é justamente não saber diferenciar inovação de invenção. Inovação é ‘tornar novo’ agregando valor para um determinado público, ou seja, é uma ação criativa colada em prática produzindo algum benefício que seja valorizado por um grupo de pessoas. Esse processo de ‘tornar novo’ pode ser feito de forma incremental, aos poucos, ou pode ser feito por meio de alguma grande ruptura que transforme radicalmente a vida das pessoas. Esse último caso é a invenção. Portanto, a inovação engloba a invenção, no entanto, a maior parte das inovações são as incrementais e não as disruptivas (invenções). Um exemplo disso é o carro, que foi uma invenção quando surgiu, mas que no último século tem evoluído apenas por meio de inovações incrementais. As invenções normalmente dependem de pesquisa e desenvolvimento, engenharia, e grandes descobertas, mas as inovações podem (e devem) ser feitas no dia a dia, por qualquer pessoa e em qualquer lugar.
 
– A inovação (ou a invenção) é algo limitado a determinadas pessoas? Aquela que têm o “dom”?
 
RESP MG – Não, inovação (seja ela incremental ou disruptiva) pode ser feita por qualquer um. Da mesma forma que qualquer pessoa potencialmente consegue aprender matemática, pode também aprender a inovar. Logicamente, algumas pessoas possuem habilidades inatas distintas — por exemplo, todos podem aprender física, mas nem todos serão Einsteins. De qualquer forma, independentemente do dom inato, qualquer um (pessoa ou empresa) pode se tornar inovadora se aprender e aplicar metodologias adequadas para tal.
 
– Por que, nós brasileiros, somos considerados pouco inovadores? Pode exemplificar comparando com algum outro país?
 
RESP MG – O Brasil é um país criativo, mas pouco inovador e isso acontece porque somos bons em ter ideias, mas não em implementa-las. Para inovar não basta ter criatividade, mas é essencial coloca-la em prática para gerar valor e, para tanto, é necessário ter e aplicar metodologia. O problema da inovação no Brasil é que a nossa cultura associada à nossa burocracia não formam um sistema operacional que favoreça a inovação. A cultura do “jeitinho” e improvisação incentiva a criatividade, mas não tem a disciplina do método para realiza-la. Culturas como a alemã, por exemplo, têm bastante afinidade com metodologias e sua execução, o que favorece a inovação. No que tange a burocracia, além de ela consumir recursos que poderiam ser usados para inovar, muitas vezes ela cria obstáculos para o processo de inovação.
 
– Pode dar dicas de como aprimorar a criatividade?
 
RESP MG – Toda criança nasce criativa, mas vai perdendo a criatividade conforme o conhecimento e julgamento vão aumentando. Como dizia Abraham Maslow, “o homem criativo não é o homem comum ao qual se acrescenta algo; o homem criativo é o homem comum do qual nada se tirou”. Assim, para acessarmos a nossa criatividade devemos buscar o desapego ao nosso conhecimento e julgamento, que bloqueiam a nossa imaginação. Além da atitude aberta de desapego, o ambiente favorece também a criatividade: quanto mais estímulos distintos, maior a probabilidade de associarmos novas possibilidades e termos ideais. Portanto, experimentar coisas novas, viajar, se relacionar com pessoas e culturas distintas favorecem a criatividade. No entanto, é importante ressaltar que a criatividade é um tesouro individual que cada um tem que escavar dentro de si mesmo, buscando e desenvolvendo os seus próprios recursos e percepções. Nesse sentido, não existem fórmulas para ampliar a criatividade, mas processos para que ela floresça.
 
– Quando se pensa em inovação logo vem à cabeça a tecnologia, o mundo digital. Há como separar as coisas ou deve-se considerar que este casamento é eterno (em especial pensando em negócios)?
 
RESP MG – É um grande equívoco pensar que inovação esteja relacionada apenas com tecnologia e produtos. Inovação pode ser aplicada a processos ou modelos de negócios também. Por exemplo, quando faço algo de uma forma nova (processo) diminuindo tempo ou custos, estou inovando sem alterar o produto e, muitas vezes, sem usar tecnologia. Logicamente, a tecnologia aplicada de forma adequada pode ajudar muito a inovação em todos os seus tipos (produto/serviço, processo, modelo de negócio, etc.), mas é essencial entender que a inovação é muito mais ampla do que isso e que não pode se limitar à tecnologia.
 
– Como implantar uma estratégia de inovação no escritório ou empresa?
 
RESP MG – Por meio de educação (capacitação para a inovação) e desenvolvimento e aplicação de metodologia de inovação adequada para o negócio. Cada empresa tem características específicas e deve analisar e escolher o método de inovação que mais se alinhe com a sua natureza. Para empresas que estão iniciando o processo, é interessante criar um comitê de inovação para criar e disseminar os processos de inovação na organização, de forma a incorpora-la no seu DNA. Além disso, para inovar é necessário ter budget destinado especificamente para isso, pois quando fazemos coisas novas, que nunca foram feitas antes, existe sempre o risco de não dar certo — é essencial ter espaço para o erro, de forma profissional. Da mesma forma que Thomas Edison precisou fazer inúmeros experimentos que fracassaram antes de conseguir o resultado brilhante de inventar a lâmpada, todo processo de inovação requer investimento para se alcançar algo novo que gere valor.
– Como ensinar o espírito criativo para as novas gerações (filhos, netos)?
 
RESP MG – Estudos realizados com gêmeos idênticos separados no nascimento mostram que a inteligência depende mais da genética do que do ambiente. No entanto, a criatividade, depende fortemente do ambiente para se desenvolver. Assim, a melhor forma de se ensinar a criatividade às crianças é propiciar um ambiente que tenha espaço para tentativas e erros com incentivo para novas experiências que ampliem o seu repertório e estímulos. Por exemplo, deixar o seu filho se sujar ou testar novas possibilidades brincando favorecem o espírito criativo. O mesmo acontece nas empresas: para que a criatividade floresça, é essencial existir um espaço para que as pessoas possam testar novas experiências com alguma liberdade para o erro. Empresas como Google e 3M, por exemplo, permitem que seus colaboradores dediquem parte do seu tempo para projetos que desejem criar e testar, e isso catalisa a inovação.

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