Produtividade Máxima – porque você deveria trabalhar 4 horas por dia e dormir 8 horas por noite

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por Martha Gabriel, 15 de maio de 2018

Sim, eu sei, o título desse texto parece impossível nos dias atuais, afinal de contas, a vida moderna tem nos pressionado justamente para a direção oposta: trabalhar cada vez mais e dormir cada vez menos. No entanto, talvez o melhor caminho para sermos produtivos, saudáveis e sustentáveis — e, portanto, mais felizes –, seja prestar atenção nos resultados que obtemos e não na pressão constante que nos é imposta. Assim, apesar de ser contra intuitivo, essas pequenas mudanças de foco estratégico (resultados e não pressão) e de hábitos (dormir mais e trabalhar menos) podem trazer inúmeros benefícios tanto para nossa saúde pessoal quanto profissional. Vejamos.

Under pressure

A abundância tecnológica da era digital traz consigo um mar de possibilidades em todas as dimensões da nossa existência, que disputam não apenas a nossa atenção, mas competem também pelo nosso tempo. Com isso, nos esforçamos para tentar espremer cada vez mais atividades e coisas dentro das nossas 24 horas diárias, fazendo com que seja cada vez mais comum a sensação de que dormir é desperdício de tempo. Somando-se a isso, a tecnologia tem também mudado os nossos hábitos de tal forma, que muitas vezes não apenas invadem as nossas horas de sono, mas contribuem para prejudicar a sua qualidade.

Ser altamente produtivo “is the new black” e, conforme a pressão do binômio tecnologia/sobrecarga cresce em nossas vidas, passamos gradativamente a esticar o trabalho e diminuir o sono, tentando equilibrar as expectativas de sucesso na sociedade atual. No entanto, a ciência tem provado não apenas que esse não é o melhor caminho, mas também que o seu efeito pode ser o oposto do desejado.

Dormir para acordar

É cada vez mais frequente publicações de pesquisas de neurociência que concluem que o ideal é dormir 8 horas por dia, independentemente de idade ou gênero do indivíduo adulto. Dormir menos resulta em custos cognitivos que afetam não apenas a nossa produtividade, mas, também e principalmente, a nossa saúde. A falta de sono diminui a nossa habilidade de concentração, fazendo com que nos tornemos dispersivos, mudando de uma atividade para outra, sem conseguirmos fixar a atenção.

A pergunta que fica é: se a falta de sono é tão danosa, porque as pessoas que dormem menos não percebem a sua nocividade? A resposta vem da incrível capacidade resiliente que o corpo humano possui de se acostumar com tudo, inclusive com esse estado disfuncional, e, assim, passamos a acreditar que estamos bem mesmo quando não estamos (aliás, se você dormir pouco, não estará em condições de avaliar o seu próprio estado cognitivo ;-)). Portanto, precisamos dormir para estarmos verdadeiramente “acordados”.

A melhor droga para ativar o seu cérebro são os hormônios produzidos durante o sono!

Trabalhar para viver, não o contrário

Mudamos de era, mas mantivemos hábitos e crenças herdados da revolução industrial, que não têm mais relevância hoje. Trabalhar oito horas por dia funcionava bem em uma sociedade mecânica e operacional. Vivemos hoje a “Era Cognitiva”, do conhecimento, em que o trabalho cognitivo é o grande diferencial para o sucesso. No entanto, a sua eficiência é diferente do trabalho mecânico operacional.

Cada vez mais estudos comprovam que o trabalho intelectual — não dispersão em reuniões e multitasking – não consegue se manter eficiente por mais de 4 horas. Por exemplo, Charles Darwin, Henri Poincaré, Thomas Jefferson e muitos outros, produziam brilhantemente em 4 horas por dia. Qualquer atividade criativa perderá a eficiência depois desse período. Assim, o segredo da produtividade intelectual não é esticar longas jornadas de trabalho, mas a constância de se fazer um pouco por dia, e sempre.

Produtividade máxima

Que tal? Vamos pilotar nossa produtividade? Dormir 8 horas por noite e alternar 4 horas de trabalho intelectual com outras atividades operacionais diárias tende a ser a melhor fórmula de produtividade na nossa era. Não acredite, experimente 😉

Artigo originalmente publicado no LinkedIN Pulse

(*) Photo by Avi Richards on Unsplash

5 Comentários

  1. CAIO CESAR SENA PENTEADO disse:

    Show de bola!

  2. Jose Darkent disse:

    Obrigada por compartilhar essa possibilidade de leitura conosco! Sempre muito direta! Adoro seus textos

  3. Alan Riddell disse:

    Ótimo artigo ! O desafio é ter a disciplina e foco para manter esse ritmo de alta produtividade.

  4. Sandra Cristiana Kleinschmitt disse:

    Martha Gabriel!!!
    Sim… Exatamente isso!
    Quando fiz a minha tese, disciplinei meu tempo produtivo exatamente assim. Usava as quatro primeiras horas do dia para fazer o trabalho cognitivo, depois não tinha condições de produzir mais nada. As outras horas do dia eu fazia trabalhos mais “braçais”: arrumava as referências, revisava as normas da ABNT, etc.
    O problema é que eu não dormia as horas necessárias e claro que isso me custou muito… Saí da tese como uma pessoa “retardada” (sem exagero). Eu não conseguia formar uma frase. Parecia que eu tinha um título fake, porque não tinha mais capacidade argumentativa e de cognição. Isso levou alguns anos para recuperar, na verdade, só agora estou me recuperando porque faço exercícios diários para melhorar a memorização e a oratória. Claro que tudo isso conciliado com o sono noturno, porque além das oito horas diárias é muito importante que o sono seja noturno.
    Enfim, obrigada por compartilhar seu conhecimento e suas experiências. Muito bom acompanhar uma mulher tão inteligente e com bom senso como você!
    Abraços

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