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por Martha Gabriel, 25 de novembro de 2012

Já pensou em usar o DNA para armazenar um petabyte de informação? E que tal obter avaliações de performance escritas por sistemas computacionais que avaliam o big data? Pois é, essas e outras tendências foram abordadas em um dos mais interessantes e inusitados eventos de que já participei: The Future Of Storytelling, ou #FoST, que discutiu o storytelling em um nível muito mais amplo e que vai muito além do seu uso no marketing. Charles Melcher, visionário da área de mídia, reuniu uma seleta audiência de 250 pensadores para discutir o futuro do storytelling em suas diversas nuances e tendências no dia 3 de outubro, em Nova Iorque.

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Foto by Martha Gabriel, NYC, out/2012

O evento se estendeu com uma programação que envolvia muito mais discussões e reflexões em mesas redondas e momentos de networking do que palestras e apresentações formais. Entre os presentes estavam Al Gore, Clay Shirky (best seller author), Tim Kring (criador da série de TV Heroes) entre outras influentes personalidades. As discussões foram complementadas por workshops práticos liderados por facilitadores sensacionais, como o pessoal do Cinemagram e o grupo de dança Pilobolus.

Antes do evento, cada participante recebeu uma lista de 15 vídeos gravados com todos os facilitadores (os vídeos podem ser vistos em http://futureofstorytelling.org/films/) para que assistíssemos e escolhêssemos as seções das quais gostaríamos de participar. Os temas envolviam desde como o storytelling expande a comunicação no cenário transmídia até sobre como fazer storytelling com big data.

Durante as sessões, foram levantadas diversas áreas de conhecimento, entre eles: como o storytelling pode alavancar o branding, a autoria por meio de sistemas computacionais, o uso de DNA como sistema de arquivamento de informação, como ocorrem os processos de criação e desenvolvimento de storytelling, a ética no envolvimento da audiência no universo ficcional, o poder do storytelling na cura social depois de tragédias e futuro da educação, entre outros.

Confira alguns dos principais insights sobre o futuro do Storytelling, que vão além das tradicionais técnicas de contar estórias e abrangem os questionamentos e possibilidades alavancados pela era digital:

  • A explosão de dados associada com a crescente capacidade computacional tem permitido explorar narrativas criadas por sistemas computacionais diretamente por meio dos dados, gerando estórias e diagnósticos com grande poder e impacto na vida humana. Kris Hammond, pioneiro em inteligência artificial tem desenvolvido diversos projetos impressionantes nesse sentido em sua empresa, Narrative Sciences.  Várias possibilidades interessantes surgem desse processo, bem como questões desafiadoras já que as estórias estão sendo escritas por computador.
  • Narrativas, liderança e decisões podem ser colaborativas desde que se tenha uma estrutura para tal. O grupo de dança Pilobolus não tem um diretor artístico tradicional que decide a coreografia – ela é decidida de forma colaborativa entre todos do grupo. A expressão corporal e dança é uma forma de narrativa e durante o workshop com o Pilobolus pudemos experimentar a liderança e criação de narrativa coletiva. Quando estamos conscientes da existência do grupo, percebemos e somos percebidos de forma coletiva e a liderança flui naturalmente entre os membros do grupo conforme a energia e situações mudam durante o processo.
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    Martha Gabriel com o grupo Pilobolus, out/2012

  • Enquanto o conteúdo digital cresce em ritmo exponencial, nossa capacidade de armazenar informação não. Com isso, os storytellers enfrentam não apenas o desafio de preservar o que já foi criado, como também evitar que seja perdido no meio da  avalanche de conteúdo. Uma solução para isso é armazenar a informação digital no DNA. O Dr Kosuri e sua equipe em Harvard conseguiram no início do ano armazenar um livro digital completo em um miligrama de DNA vivo. Segundo, Kosuri, o DNA é uma fonte muito boa de armazenamento de informação e que existe há bilhões de ano – além de ser uma forma bastante compacta de armazenar informação, o DNA permanece estável por centenas de milhares de anos.
  • Pesquisas do Dr Paul Zak sobre empatia, neuroquímica e narrativa mostram que mesmo em uma simples narrativa, se ela é altamente engajante e segue o clássico arco dramático delineado pelo dramaturgo alemão Gustav Freytag, pode evocar respostas empáticas poderosas associadas com os neuroquímicos cortisol e oxitocina. Essas respostas cerebrais podem prontamente se transformar em ações concretas como doações para caridade. Por outro lado, estórias que fracassam no uso do arco dramático para gerar ação/clímax/desfecho (não importa o quanto a estória pareça feliz e prazerosa) extraem pouca ou nenhuma resposta emocional ou química, e correspondem à uma ausência de ação.  Essas descobertas do Dr Zak têm implicações profundas no papel do storytelling em ambientes profissionais e públicos.
  • Transmedia storytelling pode ser usada por gerar e propagar o bem no mundo real. Tim Kring, criador da série de TV Heroes, desenvolveu o projeto “Conspiracy for Good”, em que pessoas no mundo inteiro, conectadas pelo projeto e diversas mídias criavam ações em seus locais para melhorar o mundo e todos faziam parte da narrativa maior. “Conspiracy for Good” é uma experiência de storytelling interativa que merge a narrativa dramática tradicional com modelos de jogos de ARG (alternate reality game) e altruísmo no mundo real.

Vídeo do projeto “Conspiracy for Good”:

Isso é apenas uma pequena parte dos insights sobre Storytelling na era digital. Estamos vivendo mais uma revolução tecnológica baseada em palavras. Desde Gutemberg não sofríamos tantas transformações em nossos modelos de comunicação, produção, identidade, construção do conhecimento e pensamento. As estórias estão intimamente conectadas à nossa existência, e tentar compreender o futuro do storytelling é tentar entender o nosso próprio futuro.

— Artigo publicado por Martha Gabriel originalmente no portal HSM Online em 21/nov/2012

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